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9 de junho de 2026    APRESENTAÇÃO    PESQUISA AVANÇADA    EXPOSIÇÕES    CONTACTOS 
 

 
     
 
Luzes de Pedra
A fotografia ao serviço das obras de arte (I)



Apresentação Conteúdos Ficha Técnica

Desde o dia 19 de Agosto de 1839, data da apresentação mundial do processo, a Fotografia tornou-se indispensável no inventário e divulgação de todas as formas de arte, novo meio de circulação das ideias em imagens (substituindo nesta tarefa a gravura) e instrumento formidável de comparação e investigação. Veio também a amadurecer como arte, referência obrigatória de todas as artes da câmara escura e novo olhar sobre a realidade, alargando a fronteira dos nossos conceitos e dos nossos conhecimentos sobre a mesma. Ofereceu-nos uma diferente visão e uma memória em imagens, provocando um enorme abalo em todas as formas tradicionais, causando uma revolução em cujo berço nasceu o impressionismo.

O inventário fotográfico do património cultural é hoje uma tarefa obrigatória para cada cultura, essencial para a segurança, o estudo e a divulgação da nossa mais preciosa herança. Embora nada possa substituir a presença física desse património, com tudo o que tem para revelar, ensinar e emocionar as gerações vindouras, na verdade a maior parte da nossa formação e cultura artística visual depende das fotografias de obras de arte ao nosso dispor. O fotógrafo de arte tem assim a tremenda responsabilidade de servir como tradutor intérprete de oceanos de criatividade humana, de todas as culturas e de todas as idades. A importância da formação específica de técnicos desta área tem sido muito mal avaliada.

Dando sequência ao trabalho anteriormente desenvolvido no contexto do Instituto Português de Museus, o Instituto dos Museus e da Conservação tem feito um extraordinário esforço de inventariação fotográfica das colecções dos Museus Nacionais, e tem colaborado com outras entidades que o solicitam. A sua Divisão de Documentação Fotográfica possui hoje um vasto espólio de centenas de milhares de imagens que estão ao dispor de todos e têm ajudado a divulgar e a afirmar a importância do património cultural português no mundo.

Por minha decisão, enquanto tive a felicidade e o privilégio de viver há 36 anos esta fantástica aventura: nos sítios e na paisagem, nos lugares isolados ou nas grandes urbes, em tribunais, cemitérios, telhados, estações arqueológicas, residências, ateliers, oficinas, docas, estações de transportes, armazéns, reservas, arquivos, palácios e museus, e em muitos outros lugares que nem me consigo lembrar nem podem ser imaginados... a minha tarefa tem sido fotografar os melhores modelos que o homem criou. Sempre disponíveis para posar para mim. E entre tudo o que esta profissão me tem vindo a ensinar, e ensinou todos os dias dos últimos 33 anos, destacam-se duas leis fundamentais: o rigor do método e a humildade perante a grandeza de qualquer acto criativo, das Tentações de Santo Antão ao mais simples artefacto, todos tratados com o mesmo respeito e com a mesma atenção.

Quando me solicitaram uma exposição sobre a fotografia de obras de arte, impossibilitado de dar uma visão geral, tive que optar por me cingir a um tema. Escolhi a pedra, talvez porque as nossas pedras são as mais desconhecidas dos portugueses, incluindo os historiadores de arte. E como elas são mágicas! Normalmente mergulhadas nas trevas, mesmo quando expostas à claridade do dia, com luz as revelamos. Contemplamos então extasiados as marcas dos instrumentos, quase assistimos à génese do objecto criado, pressentimos o encontro com o autor, através da sua mensagem.

Conservar o património é uma atitude nova, de quem acredita no futuro da humanidade. Trabalhar nele como fotógrafo é navegar à vista entre a ciência e a arte.


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